Filho não é arma de arremesso




 Vi esta imagem num Post da Minha querida Prima Giovanna, e achei que devia refletir sobre ela!

 

“Nada mais edificante para um filho do que perceber o amor e o cuidado entre os seus pais - independente de estarem juntos ou não”

 

Como filha, só pensar na perspetiva de os meus pais se separem assusta-me, mas posso garantir que preferia ver os meus pais separados a vê-los constantemente a discutir e desrespeitarem-se mutuamente.

 

A verdade é que nunca vi o meu pai a faltar ao respeito à minha mãe, nem a minha mãe a faltar ao respeito ao meu pai. Pelo contrário. Outra coisa que pouco ou nada vi acontecer foi eles se desautorizarem mutuamente. Podiam não concordar com a decisão do outro, mas isso era discutido mais tarde, sem a nossa presença.

 

Nuca houve gritos? Houve…Claro que sim! Qual é a casa onde nunca ninguém gritou por algum motivo? Eu própria de vez em quando grito. Não é o que quero, não é a minha política, e inclusive não concordo, mas por vezes o cansaço fala mais alto e lá sai um grito ou outro. 

 

Alguma vez te bateram? Sim, mas nunca me espancaram, e foi sempre na sequência do meu comportamento exemplar (só que não. Eu era A peste :-p).

 

Era o exemplo que tinham, e não havia a facilidade de acesso a informação que há hoje, por isso tenho noção que fizerem sempre o que no momento acharam melhor.

 

Bom, mas voltando ao cerne da questão, tenho a certeza que ter visto esta relação de respeito entre os meus pais me fez perceber o que eu queria numa relação. Ajudou-me a perceber como devem ser as relações entre casais. Com respeito, amor, cumplicidade.

 

Infelizmente já acompanhei de perto vários casos em que os pais se separaram. Esqueceram-se que em algum momento foram felizes juntos, concentraram-se no que era mau, o processo de divórcio/separação é doloroso, e os filhos são usados como armas de arremesso.

 

E nestes casos, as crianças sofrem e muito! Porque as vezes achamos que são pequenos e não percebem, mas é um erro.

 

Eles podem não perceber exatamente o que se passa, mas eles sabem que a mãe e/ou o pai não estão bem. Eles percebem que discutiram mesmo que não compreendam o teor da discussão. Eles sentem o nosso nervosismo.

 

Vi casos em que o pai deixa de querer saber dos filhos, casos em que a mãe não deixa que o pai esteja com as crianças, casos em que um dos progenitores fala mal do outro às crianças e o outro fala bem, outros ainda que ambos tentam colocar os filhos contra a outra parte.

 

No fim disto tudo, quem mais sofre é a criança. O amor acabou? Ok! Faz parte, acontece! Mas a Criança não tem culpa. A menos que o outro progenitor constitua perigo à integridade fisica da criança, não se deve comprometer a integridade emocional dos mais pequenos porque os adultos não sabem lidar com a separação.

 

Tudo bem, os pais não têm de ser amigos se não quiserem, mas têm o dever de zelar pelo bem estar da criança.

 

Felizmente, também tenho visto exemplos incríveis de pessoas que aceitam as suas diferenças, seguem caminhos separados, mas continuam amigos, principalmente no que aos filhos diz respeito.

 

Vamos mudar de casa, e ando a destralhar alguns moveis. Ontem combinei com uma senhora que ela viria buscar um movel. Fiquei tão feliz ao receber a mensagem dela a dizer que quem vinha era um amigo e o ex-marido dela! Achei incrível e lindo!

 

Estou a lembrar-me agora de outra situação que conheço em que os pais se dão tão bem que inclusive frequentam a casa um do outro. O amor acabou, mas continuam amigos.

 

Bom, isto tudo para dizer que ninguém tem de continuar numa relação que já não lhe faz sentido, mas lembrem-se que em caso de separação, havendo filhos, por eles vão ter de fazer um esforço para se entenderem, porque vocês vão ser sempre os pais deles. Juntos ou separados. E uma separação difícil, em que a criança serve como arma de arremesso, pode provocar feridas emocionais difíceis de sarar.

 

E tu? Que perspetiva tens sobre este assunto?


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