Este é o meu primeiro post no blog, e aproveitando o regresso às aulas, vou falar sobre a dor da separação quando deixamos o nosso bebé na creche pela primeira vez.
A decisão de o colocar na creche
Eu e o meu marido somos daquelas pessoas muito afortunadas que têm uma óptima rede familiar que nos apoiam em tudo o que precisamos.
Quando o Ethan nasceu eu estava desempregada e por isso não se justificava estar a colocá-lo numa creche. Felizmente consegui ficar com ele em casa até aos 8 meses. Nessa altura voltei a trabalhar em part-time pois queria acompanhá-lo mais um pouco. Só quando ele já tinha praticamente um ano e meio é que eu comecei a trabalhar a tempo inteiro, e ele foi para a creche já com praticamente 22 meses.
Durante o período em que eu ia trabalhar mas ele ainda não estava na creche tive o privilégio de o poder deixar com a Avó (e o Avô e a Bisavó e o Bisavô)
Muita gente me pergunta porquê coloca-lo numa creche se pode estar com os avós?
Eu e o meu marido considerámos que seria benéfico para o Ethan desfrutar da companhia de outras crianças, não só para ter alguém da idade dele com quem brincar, mas também para começar a socializar. Coisas como a partilha, perceber que há mundo além da família, aprender com os pares, tomar consciência que se podem fazer escolhas, e até mesmo o desenvolvimento físico (e não só) que daí pode advir são factores importantes na vida de uma criança
Em busca da escola encantada
Desde cedo fui sempre muito activa nos grupos de mães, e alguns dos relatos que eu ia lendo, sinceramente metiam-me muito medo.
Eu tinha receio (e creio que estejam aqui representados os receios das mães em geral):
* que não lhe trocassem a fralda,
*que lhe batessem,
*que a alimentação fosse carregada de açúcar,
*que não respeitassem a minha decisão de o Ethan não beber leite de vaca,
* que o tratassem mal...
Assim, quando iniciei a minha pesquisa por colégios e creches, eu sabia exactamente o que não queria, e de uma coisa eu tinha a certeza: eu não queria o meu filho num colégio qualquer.
Procurei escolas que:
* respeitem o desenvolvimento e o ritmo do Ethan, assim como as nossas escolhas
*praticasse educação alternativa
*que desse abertura aos pais para participar activamente na vida escolar dos filhos
*que não tenha horários rígidos de entrada e saída
Não eram muitas escolas que correspondiam a estes critérios. Havia uma que eu tinha em vista, mas acabou por fechar entretanto, o que limitou as hipóteses.
Fiz uma pequena lista de escolas possíveis e comecei a preparar-me para as visitar. Antes disso certifiquei-me que as opiniões das mães eram positivas (ou que pelo menos a grande maioria estivesse satisfeita com a escolha que fez)
A escolha da escola
A verdade é que não há muito mais a acrescentar. Acabamos por escolher a primeira e única escola que visitamos.
-Carla Só uma?
- Sim, só uma! A simpatia, simplicidade e abertura com que fui recebida, a alegria que vi nos miúdos que já lá andavam, as condições que a escola oferecia, o método de ensino, o plano curricular e extra curricular, o saber que podia participar activamente na vida escolar do meu filho, não há imposições de horas para chegar nem para sair e até o facto de o Ethan querer logo lá ficar, deram-me logo a certeza que era ali que eu queria o Meu filho.
Estávamos em Janeiro, e só não o inscrevemos imediatamente porque queríamos a validação um do outro. Nesse mesmo dia, enviamos email a efectivar a inscrição e em Setembro tivemos a confirmação daquilo que já sabíamos. Aquele era (e continua a ser) o colégio pelo qual nós ansiávamos
Como eu me preparei
Só por si, o facto de ter escolhido aquele colégio já me acalmava o coração, mas com alguma frequência eu revia os feedbacks de outras mães nos grupos para de certa forma ter a certeza que tinha tomado a decisão certa.
Facilitava o facto de ter quem tomasse conta dele se por algum motivo eu decidisse tira-lo do colégio.
Também ia falando com ele e explicando que ia brincar com outros meninos, aprender coisas que em casa não íamos conseguir ensinar, que ia ter uma educadora. Desta forma estava como que a mentalizar os dois para esta nova fase.
A adaptação
Chegou o Dia D, e lá fomos nós felizes e contentes da vida. No primeiro dia ele ficou bem, e eu fiquei mais ansiosa que destroçada (neste aspecto sou muito terra a terra se ele está bem, dificilmente eu vou sofrer com a separação). Claro que ele ficou bem mas só até perceber que a mãe e o pai tinham ido embora. Pouco depois recebi uma chamada para o ir buscar. Quando lá cheguei estava a chorar e ai sim custou-me. Expliquei novamente, e disse que ia sempre busca-lo e que confiava nas pessoas que estavam a tomar conta dele e que de outra forma não o deixava lá.
Nos dias seguintes foi muito parecido e até que ele estava a ambientar-se bem, e já lá dormia quando se começou a aperceber que isto ia ser uma constante. Foi nessa altura que começou a ser verdadeiramente difícil. O choro dele era desesperado e aí sim, partia-me o coração. Mas depois lá percebeu que a mãe ou o pai e ás vezes a avó iam sempre buscá-lo e acabou para acalmar.
Como disse, partia-me o coração de manhã por vê-lo a chorar, mas enchia-me o coração à tarde quando o ia buscar, ao vê-lo a brincar e ao perceber que não queria vir embora.
E hoje?
Hoje, dois anos depois, chega ao colégio, pede para desinfectar as mãos e manda-me embora. À tarde quando o vamos buscar vem na maior das calmas. Demora imenso tempo a chegar ao pé de mim.
Deve pensar: Que falta de chá interromper as minhas brincadeiras. Onde já se viu virem buscar-me a esta hora? Não se admite!
Quando escolhemos a instituição certa com as pessoas certas para tomar conta dos nossos filhos, somos felizes!
Até à próxima
Carla, A Mãe Elephante

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