Mudámos de casa, e agora?
O nosso antigo normal
Desde sempre eu e o meu marido trabalhamos com horários e/ou folgas rotativas. O nosso normal nunca foi o mesmo da maioria das pessoas, e ás vezes é mesmo muito difícil conseguir conciliar ambos os horários. Chegou a haver alturas em que se passaram semanas até conseguirmos estar os 3 novamente sentados à mesma para uma refeição.
No entanto, se há alguma coisa que privilegiamos, é haver alguma consistência na vida do Ethan, e por isso damos tanta importância às rotinas.
Por exemplo, o Ethan sabe que sempre que o pai entra às 07h00 e no mesmo dia a mãe entra as 08h00, ele vai dormir em casa da avó. Por norma, também ia sempre à 6ª feira dormir a casa da Outra Avó.
Sabe que todos os dias depois de jantar pode brincar um bocadinho antes de ir dormir. Depois, ligamos a Corujinha com óleo essencial de lavanda (para acalmar o ritmo) e passarinhos a cantar, tem de lavar os dentes, vestir o pijama (se já não estiver vestido), por soro no nariz, e cama.
Já na cama sabe que lhe contamos historias (sim plural) e que lhe fazemos festinhas ora na barriga ora nas costas, e lá pelo meio pede um copo de Leite não vaca ( o que ele chama às bebidas vegetais).
Ele também sabe que quem o vai adormecer depende sempre se a mãe tem aulas e/ou o pai está a trabalhar.
De manhã ele gosta de dividir o seu tempo, come enquanto vê televisão (a única refeição que permitimos que o faça) até o telefone tocar e depois vai brincar até o telefone tocar novamente. Aí sabe que tem de se preparar para ir para a escola.
Isto era até ha pouco tempo o nosso normal.
O que mudou?
O Covid veio alterar algumas coisas. de repente o pai e a mãe não saiam para trabalhar. De repente ele deixou de ir a escola, deixou de ver os avós, os amigos, o papá e a mamã estavam a trabalhar em casa, mas um trabalhava de amanhã e o outro á tarde para poderem ficar com ele, mas não podíamos ir ao parque nem sair para passear.
Manter uma criança de 3 anos trancada em casa é praticamente incomportável. Por ele e por nós. No nosso caso não foi problemático e o Ethan aceitou bem, mas chegou a uma altura que tive de começar a sair com ele, porque já acusava saturação. O que é perfeitamente compreensível.
Foi então que nos lembrámos de um sonho que tínhamos fechado na gaveta: ter uma casa com quintal. Este sonho é anterior ao nascimento do Ethan, mas agora mais que nunca fazia sentido ter um espaço ao ar livre para o Ethan correr e brincar.
O que fizemos?
Começamos a pensar que se calhar podíamos por a nossa casa a venda. E pusemos e vendemos a casa. Na pior das hipóteses, teríamos de comprar outro apartamento.
Pusemos varias hipóteses na mesa, e após muito analisar e muitas contas, decidimos que vamos construir.
Mas se vendemos a casa, não podemos lá ficar e por isso após analisar os prós e os contras, viemos temporariamente para casa dos meus pais.
Ponderaram que estas alterações podiam afectar o comportamento do Ethan?
Sim, previmos que o Ethan iria estranhar, e começamos a prepara-lo com antecedência para o que iria acontecer.
Conversámos e explicamos varias vezes que iríamos para a casa da avó, e de certa forma fizemos questão de o envolver no processo para ele tomar consciência das mudanças, e claro, nunca descurámos as rotinas dele.
Queríamos acima de tudo que ele se desestabilizasse o mínimo possível.
Está a correr bem?
Sim! Tomámos algumas medidas para que assim fosse. Tivemos alguns cuidados para que ele se habituasse rapidamente à nova realidade
Então que medidas tomaram?
A maioria das nossas coisas está como devem calcular guardada, mas para que ele se sentisse o mais confortável possível o que fizemos foi:
- trouxemos a cama dele
- escolhemos com ele alguns livros e brinquedos para trazer
- arrumamos o quarto novo com ele. permitimos que escolhesse o lugar dos brinquedos
- mantivemos as rotinas
- como agora estamos com os avós, deixamos que escolha quem o vai adormecer (tendo em conta horários de trabalho e afins)
E agora?
Agora vamos continuar a fazer o que sempre fizemos: tudo o que seja necessário para o ver bem, feliz e Saudável.


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